espaço-tempo.

Foto: Marina Sampaio

A gente corre demais contra o tempo. A pressa é do novo, do que vem, do que a gente pode criar, fazer e das coisas que “ainda ninguém pensou”. E tudo bem.

Tudo bem, desde que a gente não se esqueça de que também não há mal algum em voltar. Às vezes, o retorno é como a respiração profunda de que a gente precisa: em que libera espaço para prestarmos mais atenção ao que está à nossa volta, ao que parece que ficou empoeirado no canto da falta de tempo.

E eu sei, nem sempre é desculpa. Às vezes, só é coisa demais. Só que é nesse ponto que a gente acostumou a querer mais ao invés de admitir que está tudo bem se desacelerar e querer um pouco menos. Um pouco menos de acúmulo faz bem — se a gente ainda não viu, vai ver.

Estamos sempre em busca da novidade, do projeto incrível, de algo que a gente ainda não fez — e outros, a gente julga que também não — e precisa desesperadamente surgir, realizar, acontecer. E pode ser que sim, mas e se a vida disser que não? E se o segredo estiver em desempoeirar os espaços que tanto fizeram bem, que tanto levaram até onde estamos hoje?

Não é retroceder, não é passado, não é perda de tempo. É ganho certo. Expandir de horizonte de quando a gente se conhece e sabe que pode render, que tem potencial, que só precisa levar. Ir adiante, mesmo, nem que seja num rumo diferente. A gente pode andar pra frente carregando — e revivendo, sim — o que fizemos de bom algum dia lá atrás.

Não sinta medo em retornar. Sinta orgulho em dizer: mudo, mas estou de volta. 

Larissa Mariano

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